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Isto é um comentário que escrevi há uns meses no Contra-Capa, sobre abandono e maus tratos dos animais. Hoje por alguma razão insondável, senti que tinha de publicar o comentário e a foto aqui mesmo.
Toda branquinha, linda, muito linda, um anjo com quatro patas, e com uns expressivos olhos azuis claros que derretem qualquer um... mas vamos começar pelo início...
Foi em mais um sábado de Maio em que cheguei a Lisboa bem cedo. Às 8 horas já estou encostado ao balcão de uma bar do aeroporto da Portela a pedir uma verdadeira bica!
Bom, saio para ir ter com uma amiga que me ia buscar. Quando estava a chegar perto, vejo-a com um cão pela trela... 'woooow, um pitbull, esta gaja passou-se de vez...' como ela estava ao telefone, já a contar o drama, que eu ia ouvir a seguir, e olhando para o cachorro - depois descobri que era cachorra - dei-lhe a mão a cheirar e começou-me logo a fazer festas... o meu maior erro foi ter-me baixado... só faltou rebolarmos pelo passeio... energia não lhe faltava!
Desligado o telemóvel, 'olá tudo bem, e o que é isto?' 'Ohhhh, há quatro dias que estava acorrentada a uma árvore à porta de minha casa, e esta semana fez calor! Durante a noite farta-se de ladrar, e a minha mãe há quatro dias que me anda a chatear a cabeça... por isso, esta noite fui lá e cortei as correntes. 'Bonito devo ter dito, agora deste em defensora dos animais, realmente, quem devia estar preso à árvore era o animal que a prendeu lá.
Depois dos primeiros momentos de brincadeira, e de nos pormos ao caminho, já estava a magicar um nome... e o único que me veio à cabeça foi mesmo Katrina, como o furacão que devastou New Orleans... e a energia devia ser equivalente...
Drama seguinte, encontrar quem ficasse com ela... encontrar quem quisesse ficar com ela, a Katrina, ou 'Kay'... Fomos três pessoas a ligar para todos os contactos e mais alguns... acordei muita gente... eram só nove e meia da manhã de sábado, muitos telemoveis desligados, outros que me atenderam, mas agora que lhes pergunto, nem se lembram de ter falado comigo... enfim, só faltou ligar para os contactos que tenho um pouco por toda a Europa. A palavra mágica era quando dizia Pitbull, ou não por causa da historial de violência - mito urbano, creio - ou então perguntavam quanto estávamos a pedir pela cadela, nada respondíamos, a pergunta seguinte era se havia alguma ilegalidade envolvida... ya, claro que sim, roubámos um cão e agora estamos a ligar a todos os nossos contactos para que a judite nos ouça! Isto realmente...
Enfim, fizémos uma pausa para cafezar e fazer contas, tipo quem disse que talvez, depois de a ver fica com ela... Entetanto, sentados numa esplanada e eu a segurá-la pela corrente, surge no final do passeio uma cadela boxxer sem trela com os donos logo atrás. A cadela deles - a Eva - estava mais adiantada, e assim que vê a Kay, vai direita a ela e começa a cheirá-la e a fazer as cenas normais de cães quanto estão curiosos.
O casal chega, e a mulher baixa-se para fazer umas festas à Kay, má ideia pensei eu... e assim que se baixou, levantou-se logo, porque as festas eram demasiado vigorosas para aquela hora da manhã. Cadela muito gira, disseram-nos e blá, blá, blá... Cinco minutos depois de conversa jogada fora, a pergunta directa de chofre, por acaso não conhecem ninguém que queira ficar com ela? Mas estão a dá-la? Sim, resposta pronta, e contámos a história... bem, por acaso até conhecemos, ainda ontem à noite estivemos aqui mesmo a tomar café, e a empregada disse-nos que andava à procurar de uma cadela com este aspecto, exactamente assim, foi como ela a descreveu...Bom aqui está ela... mas e essa empregada? Perguntámos à senhora atrás do balcão? Só entra ao meio dia... Bom, voltamos ao meio dia, por ora vamos partir esta corrente maldita, e ver se encontramos já um dono... Mais telefonemas, mais voltas, e esta minha amiga precisou de ir a casa. Ao meio dia voltámos ao café. Apresentei-me, contei a história, e a rapariga muito desconfiada, mas porque quer dar-me assim a cadela. Bom lá contava a história toda. Ok, não digo nada, mas para já só quero vê-la, e não pago nada por ela. Ok, tudo bem, nós também não queremos dinheiro por ela. Liguei à minha amiga e pedi-lhe para trazer a Kay o mais rápido possível.
Ao meio dia e meio estava de volta. Ia eu a segurar-lhe a trela, pelo passeio do prédio, e ainda estava a uns bons 50 metros da entrada do café, e já a rapariga se derretia toda a sorrir para a cadela. Quando chegámos ao pé dela, só me disse, nem precisa perguntar nada, eu fico já com ela! Bom, aqui tem, enquanto estendia a trela. E já agora, nós demos-lhe o nome de Katrina, como o furacão... mas também estou a chamar-lhe Red Bull, por causa dos olhos, que são a cor das latas sem açúcar... Ok, disse ela sem olhar pra mim e a fazer ou a receber mais umas quantas lambidelas...
Agora chama-se Dina... que nome sem força... e tanto quanto sei, de vez em quando ainda recebo notícias, a Kay está bem e a todo o vapor... assim o espero... Aqui está a história de como conseguimos dar uma pitbull de dois ou três meses numa manhã de sábado...